
"Escreve. Mesmo que seja besteira, escreve. Nem que seja só pra criar o hábito", disse mil vezes meu tio Nando.
Enfim, a terapia tá cara (e lá se vão dez anos sem grandes avanços), toda a farmacopéia disponível já foi testada e eu continuo do mesmo jeito. O que também já não incomoda mais tanto, afinal, os amigos que eu queria ter já tenho - 90% deles são os mesmos há quase 20 anos, estão muito bem, obrigada, me suportam e me bastam - e, convenhamos, eu nunca perdi muito tempo tentando agradar ninguém. E família acaba tendo que engolir a gente de uma ou de outra forma, nem que seja só pra não ficar chato e pouco cristão.
Para cada coisa que eu gosto existem outras 1.532 que me irritam profundamente. Posso morrer do coração ou somatizar todos esses sentimentos e acabar "fazendo um câncer", como diriam alguns médicos por aí. Honestamente, se pudesse escolher, preferiria a primeira opção, rápida e limpa, sem incomodar ninguém e sem ser incomodada também.
Então resolvi aproveitar essa coisa moderninha (mas nem tanto) de blog pra sentar a lenha em tudo o que desaprovo, talvez elogiar alguma coisa uma vez por mês (escolherei a dedo) e refrescar um pouco a cabeça. Acredito que poucos se interessarão em ler, o que é ótimo pra mim, já que geralmente as pessoas que concluem a leitura de um texto, seja ele qual for, têm a detestável presunção de achar que o autor espera uma crítica, alguma reação, boa ou má, aquela coisa de "compartilhar impressões", trocar experiências, e blábláblá.
Não é, definitivamente, o meu caso.
Se alguém, entretanto, quiser postar alguma coisa no meu blog, sinta-se à vontade, longe de mim reprimir manifestações de qualquer natureza. Após receber a colaboração, caso eu concorde com a idéia, ela venha de encontro aos meus interesses e eu simpatize com o autor, democraticamente permitirei que aqui conste.
Também posso aproveitar o espaço pra reativar meus roteiros trash (providenciar a conclusão de "O ataque do homem abóbora" e captar investidores para "O fogão maldito"), identificar um pastor eficiente para comandar o rebanho da igreja que pretendo fundar (dinheiro é bom, fiéis também) e negociar algumas conhecidas (as amigas não) encalhadas a preços módicos.