Friday, July 21, 2006

Jason, please, come back!


Foram tantas e tão contundentes as manifestações de repúdio ao abandono de nosso projeto da banda de funk que resolvemos retomar o bagulho (estou treinando os termos que funk erudito ninguém merece). Até comprei um CD no camelô, que, se não servir como inspiração, vai servir pra plagiar mesmo, já que melodia e letra são coisas que não importam absolutamente nada. Tem umas faixas ótimas, como "Um otário pra bancar" e "Dança do rodo", além daquela excelente, do Bonde dos Pretinhos, que diz "faz quem quer, faz quem quer, a Michele de filé" (acho que quem veio ao mundo com nome de Michele parece mesmo predestinada a virar filé). Então colocamos nossos cérebros desprivilegiados a favor do ócio criativo para dar forma, ritmo e estrofes ao "Melô da esquartejadinha". Falamos sobre uma mina que tá sem vale-transporte e então pega uma carona com um tio numa kombi pra passar o findi em Crystal Lake, conferindo se o facão do Jason é grande mesmo. Claro que ela acaba toda picadinha. No mau sentido. Já aproveitei e tirei umas fotos com roupas e pinta de assaltante (ficaram ótimas, levo jeito) pra começar a me sentir no personagem. Depois disso vou escrever "A dança do Lexotan - Ou Melô do no tomorrow", para aqueles que, como eu, acreditam que nem adianta muito ficar acordado, porque não existe amanhã. Ontem foi o tal Dia do amigo, e embora eu quase não tenha amigos (amigo é coisa de mané, legal é ter inimigo) alguns ainda se deram ao trabalho de me mandar umas mensagenzinhas. Até aí tudo bem, acho que sobrevivo. Pior foi chegar ao trabalho e encontrar um coral de criancinhas desafortunadas da LBV cantando umas musiquinhas odiosas e beijando os jornalistas um a um, bem gosmentas, tudo ao som de um órgão medonho espancado por um zé-ruela no meio da redação. Existem coisas que só o dinheiro faz por você. Para todas ao outras, existe Lexotan. Evacuei o prédio repetindo mentalmente..."no tomorrow, no tomorrow..." até minha pressão normalizar. Para (quase) completar minha desgraça, minha cópia de "O terror veio do espaço", que seria a pedra fundamental de minha coleção de DVD's trash, está completamente mastigada. Conta a história de plantas carnívoras que dominam o mundo e lançam esporos que cegam as pessoas. São tipo magnólias gigantes, e as raízes deslizam pelo chão como se tivessem patins embutidos. Magnífico. Uma lástima. Talvez elas sejam tão poderosas que mastigaram o DVD também. E o grand finale...uma roda de pagode debaixo da minha janela, às duas da manhã. Mal posso esperar para ingressar no submundo e investir em armamento pesado.

Sunday, July 16, 2006

Hetero?


Conhecemos uma nova modalidade de festa, eu e Bebê de Rosemary, no último final de semana. Nova para nós, claro, duas jucas fazendo cursinho pra modernas. Ao entrar as pessoas são recepcionadas com a pergunta: "é hetero"? Como a função era open bar, a diversão veio bem rápido, com gente rastejando na grama, homens de calça fusô, scarpin e olhos pretos, meninas engalfinhadas pelos cabelos (e não era exatamente uma briga. Bem, dependendo da ótica). Entre um choque e outro Bebê me brindava com suas pérolas, tipo "descobri que tenho alergia a mim" e "isso é o tipo de festa pra vir com uma bala na cabeça" (é outra que adora os trocadilhos) e etc. Como quase todos lá eram gays foi ótimo, enfim pudemos dançar sem ter que ouvir engraçadinhos autistas dizendo coisas como "e aí gata, não posso sair sem saber teu nome". Jamanta não morreeeeu. Além disso os gays também costumam se vestir e cheirar melhor. Um dos poucos heteros que vi lá dentro (tinha pinta de terrorista) usava uma camisa do PT (devia ser terrorista mesmo), o que automaticamente nos torna seres incompatíveis. Geneticamente incompatíveis. Depois que descobri o buraco que ele tinha na cabeça porque operou um aneurisma tive a certeza de que deveria sumir sem deixar pistas ou acabaria seqüestrada, torturada e esquartejada em algum calabouço imundo, tipo em "O albergue". Pena que no dia seguinte acabei perdendo o mocotó do meu padrinho, que é simplesmente o melhor mocotó entre todos os mocotós do mundo, um mocotó sênior, classe A, cinco estrelas. Mas eu mesma estava me sentindo o próprio mocotó (não sei porque os caminhões da Brahma atropelam assim as pessoas...tenho notado que os de Smirnoff também desenvolveram esse estranho hábito). Então nada de sopa de toalha pra mim, fiquei no chazinho de boldo debaixo das cobertas, pensando em qual seria o melhor momento pra me enforcar em um pé de couve*. Fortes emoções. O que foi muito bom, já que tivemos de arquivar temporariamente o projeto de nossa banda, devido a desavenças amorosas entre os integrantes. Na verdade, entre os alter-egos dos integrantes. Coisa assim. Daí tudo fica meio estressante e sou obrigada a desenvolver outras atividades de relaxamento. Estou mesmo levando a sério essa coisa de relaxamento. Comecei pelo cabelos. Resolvi que tenho mesmo que me aceitar e agora só uso xampu de pobre. Bem relaxada. Tenho dois ótimos, um com cheiro de sandália plástica e outro que parece uma mistura de mel com palito de picolé e lustra-móveis (esse ganhei de Barbie Mutante). Provavelmente agora eles mudem de atitude e párem de saltar para a morte da minha cabeça pro chão, num vôo suicida.


*Crédito: Calamity Jane.

Thursday, July 06, 2006

Viva l'azzurri!

Principalmente porque não há razão alguma para que façamos isso, Barbie mutante e eu iremos preparar, a partir de hoje, a decoração de nosso ninho com bandeirinhas tricolores para torcer na final da Copa, e já estamos poupando a voz (permanecendo mudas) desde agora para gritar "Vivaaa la nostra Itáááliaaa" a plenos pulmões janela afora caso, de fato, os italianos ganhem o jogo. Claro que nós não somos italianas, eu nem sequer de origem e garanto que não sou exatamente uma pessoa traumatizada por isso. Mas a essas alturas, convenhamos, os feios que me perdoem, mas beleza é fundamental. Não só eles são mais bonitos, como as camisas também, azuis com letras douradas. Melhor só se fossem roxas. As camisas. Será dia de ouvir "Per te partiró", "Per amore", "Volare" e todo o resto em volume dez a partir das 6h da manhã, pra que não deixemos dúvidas do quanto somos italianas. O síndico que ataquei recentemente com uma carta absolutamente desaforada depositada diretamente na sua caixinha de correio, e que não me respondeu (eu odeio o vácuo), talvez o faça, e à altura, desta vez. Também será dia de fazer drinques verdes, brancos e vermelhos decorados com bandeirinhas da Itália; aprontar minipizzas para pestiscar e, eventualmente, arremessar contra transeuntes com atitudes suspeitas e que nos façam acreditar, mesmo que ligeiramente, na possibilidade de se tratarem de torcedores franceses infiltrados; pendurar uma mega-bandeira do lado de fora da sacada e gritar impropérios para toda e qualquer pessoa que ouse intervir negativamente sobre a nossa apaixonada devoção patriótica. Talvez inclusive devêssemos publicar um anúncio nos jornais informando a temporária mudança de endereço do consulado italiano para o meu apartamento, onde os descendentes todos poderiam se reunir em uma corrente de energias positivas, dançando e pulando o funiculi-funiculá (será isso mesmo?) freneticamente em uma profusão de nonnos e nonnas e bambinis e zios e nipotes com dentes pretos de vinho e guinchando como javalis urbanos. Não trabalho nesse domingo, mas, se trabalhasse, certamente faltaria. Justificadamente, já que se trata de cumprir com o dever cívico.

Sunday, July 02, 2006

Esquartejadinha

Preciso confessar que tudo melhorou, e muito, desde que dei por definitivamente encerrada a minha vida amorosa. Como diz meu amigo Espectro, o Messias, “tu tens que te aceitar”. Na verdade eu até me aceito muito bem, o problema é que eu não aceito os outros. Desconfio que no fundo eles também não me aceitam muito, seja pela minha chatice, como insinuou outro amigo (e garantiu que nunca ninguém vai me amar, acho isso ótimo), hipocondria, TOC, delírios persecutórios, etc...interessa é que eu não quero mais nem sair pra rua que é pra não ter que conhecer alguém e responder a perguntinhas cretinas do tipo quem sou eu e o que eu faço, essas coisas. Como diria o Malachai, um dos cabeças da seita de crianças em “Colheita Maldita”*, eu sou “aquele que caminha entre as fileiras”. E ponto. Espectro, o Messias, subitamente abatido neste final de semana, soube de minha conversão e resolveu aderir a essa nova condição, singelamente batizada por ele de no fuck. Celibato é o canal, até porque cada vez mais acredito fervorosamente que não existe nada melhor na vida que um Lexotan. Nada. De resto, o nojo é o caminho. Nojo é cool. Então nessa noite comemoraremos nossa nova condição com uma missa negra (sem sexo, que fique claro) onde eu trocarei meu coração por um fígado novo e minha alma por qualquer porcaria que valha um pouco mais, lembrando, a quem interessar possa, que preciso de um liquidificador. Debateremos sobre a criação de nossa banda de death funk, que marca também o retorno mundial da grande Dr. Ghory, desta vez com reforços e novos recursos visuais. Será “Dr. Ghory MC e as goretes”. Claro que me revezarei entre as composições e as goretes, mesmo não tendo nada em casa, afinal, o quê seria das magrelas não fossem os sutiãs de enchimento. A Lacraia branca. “Melô da esquartejadinha”, nossa música de trabalho, está em fase de finalização; o próximo passo é o sampler. Espectro promete chamar Seco, o from hell, para as performances pirotécnicas no palco (isso se ele conseguir fugir da mulher e das fraldas cagadas) e R. Olsen, que, com a nova formação e gênero musical da banda nem vai mais precisar tocar baixo, basta fazer baixarias. Bebê de Rosemary pode entrar nas gravações com seus ganidos (ela sempre solta ganidos muito estranhos quando ri); e Calamity Jane, Barbie Mutante, Satélite e Carrie são candidatas ao estrelato instantâneo assumindo o posto de “a nossa Deise da Injeção” (claro que com outro nome, talvez “Kelly da Broca”, "Sheila do Estetoscópio", "Kátia da Escarradeira" ou coisa assim) e por aí vai. Vamos lá meninas, estou aberta a idéias. Só a idéias, que fique bem claro.

*O lema: “O sangue daqueles que desonram o milho deve penetrar na terra”.
Grande Stephen King.