Jason, please, come back!

Foram tantas e tão contundentes as manifestações de repúdio ao abandono de nosso projeto da banda de funk que resolvemos retomar o bagulho (estou treinando os termos que funk erudito ninguém merece). Até comprei um CD no camelô, que, se não servir como inspiração, vai servir pra plagiar mesmo, já que melodia e letra são coisas que não importam absolutamente nada. Tem umas faixas ótimas, como "Um otário pra bancar" e "Dança do rodo", além daquela excelente, do Bonde dos Pretinhos, que diz "faz quem quer, faz quem quer, a Michele de filé" (acho que quem veio ao mundo com nome de Michele parece mesmo predestinada a virar filé). Então colocamos nossos cérebros desprivilegiados a favor do ócio criativo para dar forma, ritmo e estrofes ao "Melô da esquartejadinha". Falamos sobre uma mina que tá sem vale-transporte e então pega uma carona com um tio numa kombi pra passar o findi em Crystal Lake, conferindo se o facão do Jason é grande mesmo. Claro que ela acaba toda picadinha. No mau sentido. Já aproveitei e tirei umas fotos com roupas e pinta de assaltante (ficaram ótimas, levo jeito) pra começar a me sentir no personagem. Depois disso vou escrever "A dança do Lexotan - Ou Melô do no tomorrow", para aqueles que, como eu, acreditam que nem adianta muito ficar acordado, porque não existe amanhã. Ontem foi o tal Dia do amigo, e embora eu quase não tenha amigos (amigo é coisa de mané, legal é ter inimigo) alguns ainda se deram ao trabalho de me mandar umas mensagenzinhas. Até aí tudo bem, acho que sobrevivo. Pior foi chegar ao trabalho e encontrar um coral de criancinhas desafortunadas da LBV cantando umas musiquinhas odiosas e beijando os jornalistas um a um, bem gosmentas, tudo ao som de um órgão medonho espancado por um zé-ruela no meio da redação. Existem coisas que só o dinheiro faz por você. Para todas ao outras, existe Lexotan. Evacuei o prédio repetindo mentalmente..."no tomorrow, no tomorrow..." até minha pressão normalizar. Para (quase) completar minha desgraça, minha cópia de "O terror veio do espaço", que seria a pedra fundamental de minha coleção de DVD's trash, está completamente mastigada. Conta a história de plantas carnívoras que dominam o mundo e lançam esporos que cegam as pessoas. São tipo magnólias gigantes, e as raízes deslizam pelo chão como se tivessem patins embutidos. Magnífico. Uma lástima. Talvez elas sejam tão poderosas que mastigaram o DVD também. E o grand finale...uma roda de pagode debaixo da minha janela, às duas da manhã. Mal posso esperar para ingressar no submundo e investir em armamento pesado.



