Monday, May 29, 2006
Exorcismo
O mundo dá voltas e cá estou eu novamente, após ser gentilmente exorcizada por Bebê de Rosemary. Depois da diarréia mental do último post, cuja permanência aqui ainda suscita debates (alguns acreditam que é muito útil no sentido de demonstrar o quanto uma personalidade aparentemente indissolúvel pode se desagregar) renasço para o mundo em melhor forma. Vendi minha alma (e não pagaram mais que um ticket-refeição, Bebê e Bispo Farsan são testemunhas) e ressucitei após uma reza forte em torno do meu cadáver. Afinal, "o amor é uma flor roxa que nasce no coração do trouxa", como diaria Harry Potter, o filósofo do século.
Thursday, May 25, 2006
Babuinagem

Porquê diabos o ser humano é tão complicado?
Por isso eu digo: "aquele que não babuína, babuinado será".
Ah...as coisas do coração.
Em breve devo deixar de lado a profundidade e me tornar rasa como um pires.
Voltar a procurar minha turma e me resignar com as agruras da vida.
Jurei que eu nunca mais morro de amor.
Até me dá nojo.
Um dia daqueles em que as brincadeiras não são bem-vindas.
Thursday, May 18, 2006
Ídolos

Seria cômico, não fosse trágico. Jantávamos ontem, Bebê de Rosemary, Barbie Mutante, Espectro e eu em frente à televisão, assistindo primeiramente ao melhor programa da TV aberta nos últimos tempos, o "Ídolos", depois ao também ótimo "Rei Majestade", ambos no SBT. A pizza me salvou de uma crise iminente de hipoglicemia e eu já me sentia muito melhor, inclusive pensando de novo. Todos hipnotizados em frente à televisão durante o Rei Majestade, apresentado por um Silvio Santos já deformado e que resgata grandes ídolos bregas de tempos passados. Bem passados. Eles cantam para um auditório deprimente e depois mostram sua casa e revelam o que fazem atualmente; a maioria em franca decadência, física, moral e de memória inclusive, porque sem playback não lembram a letra das músicas. Almir Rogério terminava de dublar seu "Fuscão preto" e tudo indicava que talvez ainda fosse possível assistir a um encontro memorável entre Ovelha, Biafra e Gilliard - tudo ia muito bem, portanto. Foi quando ouvimos o estouro na rua. Barbie pensou que se tratasse de um tiro; eu, de ruídos no corredor; Bebê, zombeteiramente como de costume, disse que deveria ser meu gato revirando alguma coisa. Já Espectro estava mais preocupado em montar um figurino em frente ao espelho para sair na sexta-feira à noite, o que inclui um chapéu com penas (não, ele não vai a uma festa à fantasia) e em se comportar conforme sua nova condição. Diz ele que cansou de ser branco. Agora ele é negro e vai se engajar em uma ONG em defesa dos direitos de sua nova raça.
Um mundo de luzinhas e cacos
Logo mais o interfone começou a tocar e chamaram a proprietária do veículo tal e pediram que descesse. Pois a proprietária em questão era Bebê. Pobre Bebê. Pois o Bebêmóvel estava inocentemente estacionado em frente ao edifício quando foi abarrotado por um jucamóvel e arrastado por metros e metros, muitos metros eu diria, até invadir um condomínio horizontal passando o meu endereço. A multidão no local, além das luzes das viaturas, vistas mesmo de longe, não deixavam dúvidas de que não se tratava de pouca coisa. O jucamóvel desgovernado parou pela intervenção (direta) de uma árvore e de lá foram tirados os cinco elementos, que vinham a cerca de 120 ou 130 quilômetros por hora. O Bebêmóvel parou após colocar abaixo o portão do condomínio. Perda total, enfim. Já eu pude aproveitar as vítmas um pouco, enquanto as ambulâncias não chegavam, fazendo a cinemática da cena e orientando os primeiros socorros, além de arregimentar testemunhas. Afinal de contas, acabo de receber o meu brevê e agora começo a esperar pela guerra, qualquer uma serve. Bebê, que também se formou socorrista com louvor, não parecia lá muito incomodada com as vítimas e, verdade seja dita, vez por outra a surpreendi olhando atravessado para o interior das ambulâncias com baba escorrendo do canto da boca e olhos regurgitando nas órbitas. Talvez se houvesse tido oportunidade teria avançado sobre os cinco elementos com intenções um tanto menos nobres como asfixia e estrangulamento, coisa assim. Pobre Bebê. Pobre Bebêmóvel.
Monday, May 15, 2006
As budas ditosas
Acho que ficou claro que ando com preguiça de escrever aqui, e confesso que ainda não sei se isso é uma condição transitória ou não. Na verdade sofri um excesso de estímulos com a agenda de executivo-sênior que andei assumindo e quase surtei, tipo as crianças que assistiam aquele desenho do Pokemon e tinham crise epilética. Atualmente sigo um programa de reabilitação proposto por Barbie Mutante, que consiste em gerenciar o comitê organizador da nossa festa junina e...bom, confesso, também abraçar o trabalho sujo, como fazer bandeirinhas, preparar o letreiro da entrada ("Bem-vindo ao arraial das jecas"), a barraca de beijos (sugeri que fosse de arrotos mas ninguém se interessou) e a caixinha da pescaria. Coisas da terapia ocupacional. Nesse domingo, momentos de pura e simples recreação. Talvez por consideração aos filhos no tal dia das mães a minha se comportou normalmente, não botou a cabeça pra fora da janela, no carro, vociferando palavrões pros outros no trânsito às sete de manhã, como de costume, e talvez nem tenha acordado às seis pra bater papo com as samambaias. Talvez. Rogs, o tripolar de volta ao ninho, não teve a mesma sorte e contou que sua mãe, o Jason, esteve impossível, praticando arremesso de peso com as louças de casa e repetindo frases desconexas. Eu particularmente acho que ela deve ser ótima, ainda vou transformá-la em personagem.Carrie, a estranha, nos convidou para uma festa catártica só de mulheres em um bunker na selva e lá ficou, por horas e horas, exercendo seu sadismo inesgotável com um brinquedinho maldito chamado videokê, coisa do demônio mesmo. Só pra encurtar a história, até Lady Laura teve, e isso é mais uma prova de que o inferno é aqui. Bebê de Rosemary e eu marcamos nossa passagem interpretando afinadíssimas o Vou passar cerol na mão, com direito a coreografia. No final da noite, nós duas seguimos para o teatro, assistir ao magnífico, inspirador, deslumbrante e altamente instrutivo (para os homens) "A casa dos budas ditosos". Falava a Fernanda Torres sobre o que as mulheres interessantes, na melhor faixa etária feminina (dos 30 aos 40) fazem "quando não estão casadas, engordando e enchendo o saco do cretino adúltero que as sustenta". Uma dádiva do hiper-realismo. Coisa de gênio como João Ubaldo, que de quebra ainda nos presenteou com pormenores sobre o conceito do "homem-fêmea", e aí eu diria que redescobri o meu papel na sociedade sexuada.
Wednesday, May 03, 2006
Psicologia
Após recuperar o organismo em uma sessão de coma induzido que durou o domingo inteiro (e que portanto nos impossibilitou de realizar o necessário exorcismo de Bebê, já que Bispo Farsan necessita de alguém que lhe alcance coisas como o terço, a Bíblia e a água benta) voltei ao meu estado 'normal'. Andei descobrindo coisas bem interessantes no curso (de socorrista da Cruz Vermelha) que eu e Bebê freqüentamos, quando ela não está de gracinhas cuspindo nos outros e fazendo voar os quadros das paredes. No módulo dedicado à psicologia foram detalhadas algumas das patologias causadoras de relevantes desvios de comportamento, e, fora Carrie, a estranha, estudiosa da área que já se auto-diagnosticou (diz ela que tem histeria somatoforme) e Rogs, o tripolar com múltipla personalidade, pudemos apurar a origem do comportamento de outros, como o próprio Espectro, que sofre de epilepsia do lobo temporal (doença que causa surtos de hiper-religiosidade; fatos corriqueiros ganham dimensões cósmicas). Bebê, por sua vez, tem esquizofrenia (o principal traço, segundo a orientadora, é o chamado "afeto vazio"), além de distúrbio anti-social, o que seria até desnecessário falar. Satélite é claramente autista. Eu tenho um misto de transtorno de ansiedade generalizada com hipocondria e TOC (aqui se enquadra a compulsão por jogos e a obsessão por coisas inúteis). O bom é que a mulher falou que existe uma operação que resolve tudo isso, a lobotomia ("a pessoa fica como uma planta", disse ela, e eu já me imaginei pendurada entre as samambaias da minha mãe, é a minha chance de subir na vida). Barbie mutante-cleptomaníaca que guarde suas agulhas de tricô.
Múmia
Foi tudo ótimo, muitas fotos de gente assada, frita, fatiada, picada, empalada, amarrotada nas rodovias. Bombeiros, enfermeiras, azuizinhos, policiais, agentes da Samu...e nós. Aprendemos a imobilizar fraturas (pra mim particularmente foi muito bom; me ofereci como voluntária pra ser vítima várias vezes, me aceitavam - provavelmente pela minha cara de estafa - e me enfaixaram toda. Adorei ser enfaixada, sempre me achei uma múmia mesmo). Também usamos o ked, pra remover as vítimas das ferragens (a "manobra de extricação"), aprendemos a estancar hemorragias, conduta em incêndios, envenenamentos, reanimação cardio-pulmonar, improvisações, parto de emergência, resgate com maca, choque elétrico, etc, etc, etc. Simulação com gritos, correria, sangue cênico, carros amassados, coisa e tal, excelente pra quem curte espetáculos, eu recomendo. A velha obsessão pela inutilidade, aqui, porém, com nuances mais dramáticas. Como também tenho traços piromaníacos (muito mais que uma bombeira frustrada, sou uma incendiária frustrada) mal posso esperar a hora de atear fogo em algum lugar ou em alguém e usar (ou não, vai depender do caso) o extintor de incêndio, vai ser uma festa. Até porque, como lembrou Espectro, eu não gosto muito de gente mesmo.


