Thursday, May 18, 2006

Ídolos


Seria cômico, não fosse trágico. Jantávamos ontem, Bebê de Rosemary, Barbie Mutante, Espectro e eu em frente à televisão, assistindo primeiramente ao melhor programa da TV aberta nos últimos tempos, o "Ídolos", depois ao também ótimo "Rei Majestade", ambos no SBT. A pizza me salvou de uma crise iminente de hipoglicemia e eu já me sentia muito melhor, inclusive pensando de novo. Todos hipnotizados em frente à televisão durante o Rei Majestade, apresentado por um Silvio Santos já deformado e que resgata grandes ídolos bregas de tempos passados. Bem passados. Eles cantam para um auditório deprimente e depois mostram sua casa e revelam o que fazem atualmente; a maioria em franca decadência, física, moral e de memória inclusive, porque sem playback não lembram a letra das músicas. Almir Rogério terminava de dublar seu "Fuscão preto" e tudo indicava que talvez ainda fosse possível assistir a um encontro memorável entre Ovelha, Biafra e Gilliard - tudo ia muito bem, portanto. Foi quando ouvimos o estouro na rua. Barbie pensou que se tratasse de um tiro; eu, de ruídos no corredor; Bebê, zombeteiramente como de costume, disse que deveria ser meu gato revirando alguma coisa. Já Espectro estava mais preocupado em montar um figurino em frente ao espelho para sair na sexta-feira à noite, o que inclui um chapéu com penas (não, ele não vai a uma festa à fantasia) e em se comportar conforme sua nova condição. Diz ele que cansou de ser branco. Agora ele é negro e vai se engajar em uma ONG em defesa dos direitos de sua nova raça.

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