Monday, December 18, 2006

Vergonha

Não sei o que é mais constrangedor.
Pessoas que chegam por trás das outras, em plena rua, e dizem "Bú!", ou pessoas que não se assustam com o "Bú!" das outras, numa evidente falta de consideração para com o próximo. Eu sinto vergonha alheia.

Ostra

Não é que isso aqui ficou bonitinho mesmo? Parecendo um flyer de rave. Bem, vamos ao que interessa.
Minha amiga Carrie, a estranha, pediu que eu escrevesse algo aqui antes que ela se transforme em aranha (foi picada e as mutações já começaram) e não possa mais ler. Aguardo ansiosamente esse momento.
Tenho descoberto uma série de coisas nos últimos tempos, em que a simbiose a que me submeto tem me mantido um tanto ocupada, fechada na ostra.
Fiquei muito feliz quando soube, enfim, que aquelas meninas detestáveis que eu descrevia em pormenores meses atrás (cabelos pretos, pele branca, quebradiças, braços tatuados, colares de dados e sapatos de boneca) na verdade se chamam emos. Isso me tranqüilizou profundamente; tudo que pode ser reduzido, sintetizado assim me encanta demais. Posso ter sido a última criatura do mundo informada a respeito do nome dessa tribo infeliz, mas, antes tarde do que nunca. Elas estão em todo o lugar, têm variáveis no gênero masculino, invadem as festas (que não vou mais) e se acham muito, muito modernas, mas na verdade, não o são. São apenas feias.
Outra coisa é que não quero mais ser fotografada. Eu diria mais, estou francamente empenhada em me tornar invisível, quero ter a graça de entrar em um lugar e não conhecer ninguém, não ser atendida em lojas, não receber mais convites e nem fazer novos amigos, até porque os que tenho já me dão trabalho suficiente. Tenho achado ótimo, inclusive, atender o telefone de casa e dizer "não, ela não está".
Minha turma agora são só os que fazem fotossíntese.
Também desisto de tentar entender filmes ou peças que não entenderei jamais (tampouco a razão pela qual foram feitos). Eu nunca, nunca mais vou assistir a qualquer coisa que me seja indicada, ou que mais de uma pessoa diga que é bom. Se mais de um diz que é bom é porque aí reside uma conspiração, e ela só pode ser contra mim. Foi exatamente assim com coisas como "Tangos e tragédias", "O senhor dos anéis" e outras cafonalhas. Lixo. Tenho que aprender a seguir minha intuição. Nessas horas é que eu digo, com fiéis seguidores..."In lex we trust". E graças ao pessoal do Cinema Fantástico tenho "Conspiradores do prazer" e "Canibal holocausto" pra me deliciar enquanto outros desperdiçam minutos preciosos com coisas deprimentes como "Cassino Royale" e "Volver". Isso sem mencionar meu retorno aos roteiros, com um espetacular filme sobre indivíduos que se tranformam em zumbis depois de passarem por rituais vodus que incluem lobotomia e easpiração de gases tóxicos.
Acho que qualquer pessoa precisa de um ideal, uma crença com a qual se identifique e a qual se dedique caso o namoro não dê certo, perca as pernas ou sucumba às drogas, coisa assim. Estou pensando em algo bom para mim, alguma seita, desde que bastante exótica, e, caso eu não ache algo suficientemente exótico, terei de criar eu mesma.
Ah. Mais uma coisa é que, antes de cantar vitória antes do tempo, não cante a derrota. O negócio da banda que eu havia dado por encerrado virou e, estranhamente, resolveram incluir nosso melô do Motoboy em uma coletânea de gravadora. Tem gosto pra tudo.