Março
A melhor coisa de março é acordar cedo (nos meus padrões) pra assistir ao imperdível "Garota dragão", onde hordas de Nathiellens, Katielles, Suellens, Ethiennes e Camilles de Capão da Porteira, Arroio dos ratos, Não-me-toque e Santo Antônio da Patrulha se amontoam com suas caras de pobre e pernas roxas de frio sobre uma passarela de fórmica montada em uma praia lotada de farofeiros babões e velhas carcomidas que aguardam, ansiosos, pelo prêmio de melhor torcida (que certamente causará grandes, grandes dissabores na hora de definir qual parte cabe a quem, e daí se pode constatar a selvageria inata ao ser humano) e ver aquelas gracinhas suburbanas falando sobre o seu livro favorito, que esse ano será certamente "O código da Vinci" e a determinação da vencedora em seguir 'carreira de modelo', o que significa, num primeiro momento, talvez uma ponta em um editorial de moda em um jornal local, e, num segundo, um ensaio na Sexy, para aquelas que tiverem sorte, peito e bunda suficiente, mesmo que algum tempo depois reapareçam em algum programa obscuro em um mais obscuro ainda canal de TV por assinatura reivindicando o reconhecimento de suas incontestáveis capacidades intelectuais pouco (e injustamente) reconhecidas pela mídia e a sociedade machista. "Workshop de imersão no submundo da falta de perspectiva", como diria Espectro. Mulheres são mesmo seres muito estranhos.

