Wednesday, March 01, 2006

Eu odeio Carnaval - Parte I


A saga de Bebê de Rosemary, Espectro, Satélite Abduzido e Eu

Ok Satélite, estava devendo essa, minha versão sobre a única noite de um horroroso Carnaval em Porto Alegre em que nos atrevemos a sair da garrafa e colocar as caras na rua, ainda que eu, muito providencialmente, tenha me fantasiado um pouco. Claro que a intenção, desde o início, era a catarse, e todos nós sabíamos que a experiência poderia deixar seqüelas nos mais impressionáveis. Pois bem. Alguns por falta de opção, outros por imposição do trabalho, outros por claros desvios de comportamento mesmo, ficaram em Porto Alegre nesse feriado de Carnaval. Cá estava eu, inserida no segundo grupo, até porque minhas férias começam oficialmente hoje, ainda que eu tenha me despedido aqui antecipadamente (estive fazendo o gênero “me deixem só”; acho que todos devem fazer de vez em quando, aconselho). Então unimos forças em torno de um objetivo maior, que era esquecer dessas coisas trágicas que acontecem na vida de uma pessoa e a levam a...tipo...passar o Carnaval em Porto Alegre. Saímos eu, Bebê de Rosemary, Espectro, Satélite Abduzido e Rodrigo (amigo de Bebê e que até então não demonstrou suas potencialidades, por isso esse nome tão estranho) em busca da tal junção intitulada “Eu odeio Carnaval”, uma coisa meio sem definição que acontecia até o ano passado no Osho e agora passou a reunir celebridades do esgoto no tal do "Beco 203". Digo esgoto porque estou boazinha hoje, já que o local contava com mini-cascata brotando do vaso sanitário no banheiro (com aquelas cordinhas de puxar enceradas e escuras de tanta gosma vinda sei lá de onde, e é melhor nem pensar), poças d'água que lembravam bacias hidrográficas nos corredores, sofás cabeludos, ambientes aromatizados com um pout-pourri de urina de gatos com mofo e nenhum aparato para purificação do ar, ou seja, os olhos ardem e não é como se tomassem fumaça de cigarro, e sim, como se eles mesmos fumassem. Devidamente ambientados tomamos nossos lugares em uma mesa perto da janela, que permanece hermeticamente fechada 365 dias por ano. Espectro titubeou milhares, milhões de vezes até aceitar a introdução no recinto, e, ainda assim, o ouvimos relinchando por uns 15 ou 20 minutos. Depois lembrou de uma mímica que poderia fazer na tentativa de chamar a atenção de alguma mulher no bar (isto é... se achasse uma no sentido bíblico, porque até então só havia lésbicas; Bebê foi alvo de carícias e Satélite, caso quisesse, sairia casada de lá). Ficamos nos divertindo com um truque bacana que parece separar as articulações do dedo, como ele se fosse decepado (fica perfeito) e pensando que teria sido melhor ainda se tivéssemos trazido uns dedos de borracha da lojinha do Tony Mágicas para arremessar contra aqueles simulacros de alternativos (até porque alternativos de verdade, no meu entender, tem personalidade própria e inclusive se vestem de acordo com ela). Mas ali os alternativos são todos iguais, dos pés a cabeça, e então, no fim das contas, alternativos éramos nós. O resto era puro embuste.


2 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Friday, March 10, 2006
Cegos

Hããã...em meio às minhas maravilhosas férias em que metade do tempo passei prostrada, me recuperando da bronquite, rinite, sinusite, gastrite, enfim, quase todos os ites possíveis, encontro forças para levantar da cova (a revolta tem incomensuráveis poderes sobre mim) e vir escrever a fim de registrar o meu profundo aborrecimento e indignação. Certo que o Brasil é o paraíso da impunidade, mas minha crença na justiça e no restabelecimento de algum - qualquer um - indício que torne legítima a premissa de que o ser humano se diferencia dos demais pelo uso da razão pode vir abaixo, definitivamente, caso sujeitinhos como Stédile e sua corja de arruaceiros se safem depois do desaforo, da aberração, da bestialidade cometida pela Via Campesina (leia-se MST) essa semana. Ato, acima de tudo, de profunda ignorância, já que as mudas geneticamente modificadas (e destruídas pelos vândalos) faziam parte de um estudo que visava justamente reduzir as áreas de plantio do eucalipto. “Um tiro no pé”, conforme o pesquisador Aurélio Aguiar. De total desrespeito, desumanidade mesmo, com o trabalho dos pesquisadores, cujo resultado pode influir positivamente sobre o desenvolvimento da região, já que não representa apenas os objetivos de uma empresa, mas sim, interesses do Estado. Um contra-senso, já que não se tratava de área improdutiva. Um risco, já que o investimento de 1,2 bilhão de dólares previsto pela empresa pode ir pras cucuias. Isso sem falar na geração de empregos. De quebra, essas criaturas de incrível sagacidade e senso estratégico conquistaram, enfim, o repúdio massivo da sociedade, que felizmente ainda não compactua com a substituição do diálogo pelo crime. Tão incrível quanto a atuação da Brigada Militar e da Polícia Federal, subitamente cega (!) para, nada mais, nada menos, que 40 ônibus transportando os primatas pela BR 116. David Copperfield deve ter colaborado com essa ação. Ou são todos parentes do nosso presidente, que nada vê, nada ouve e nada sabe.

Sunday, March 12, 2006

 
Blogger a noiva do re-animator said...

?

Sunday, March 12, 2006

 

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