Saturday, February 18, 2006

Rural

Saímos ontem, eu e “Biazinha” (coisa mais podre) que a partir de agora passa a assinar aqui como o Bebê de Rosemary. Pequenos frascos, grandes venenos. Um metro e meio de alta periculosidade. Noite quente, geladeira vazia, carteira também, aquela coisa. Morremos na Cidade Bicha, comer um xis-salada no Cavanhas, a lancheria com piso deslizante (eles esfregam os ovos fritos no chão antes de colocar no xis). Começamos a conversa pelos temas clássicos, passando pelos indivíduos com cromossomos xy e milhares de neurônios extras que não se justificam - essa moça tem tiradas ótimas, quando ouço o refrão do funk “Dom Juan” lembro dela - “te amo a noite inteira mas te esqueço de manhã”. Muito instrutivo. Também prosseguimos no debate levantado aqui sobre a desunião feminina, lembrando uma amiga nossa que, como milhares de outras, virou devota da Igreja universal do deus-piça (pai, espero que não estejas lendo), ou seja, arranjou um encosto e saiu de circulação, o que é uma péssima idéia, porque a partir de agora resolvemos decretar o boicote no momento de reintegração à sociedade (porque o pé na bunda sempre vem, cedo ou tarde, e daí repentinamente as amigas voltam a ter utilidade). Mais tarde, falando sobre temas profissionais e convencida por esse pequeno súcubo de que o investimento na modalidade acadêmico-parasitária é o canal, resolvi que tinha de eleger um assunto para desenvolver aquelas teses intermináveis que geram um sem-fim de publicações absolutamente inúteis. Conversa vai, conversa vem, cerveja vai, cerveja vem...pensei em alguma coisa como cultura marginal, movimentos do gueto, essas coisas de pobre tão batidas e que dão um ibope tremendo (estética da fome é hype). Dali partimos pra pesquisa de campo, na verdade uma aventura no mundo selvagem do baixo Bronx, uma visita à subcrosta da humanidade; Bebê com sua blusinha Zara e eu com minhas calças Sommer e Converse Golden, um tênis dourado que, sob o sol, é quase um lança-chamas. Foi justamente ele que provocou a nossa prematura retirada do inferninho, depois que as “mina” na fila do banheiro (que é impossível descrever, nem me atrevo) avistaram toda a magnitude de seu brilho. Resumindo, pouco depois nos encontrávamos do lado de fora do “estabelecimento” onde, presumivelmente, um corpo já estava estirado no chão. Mas não vi sangue no asfalto, então talvez fosse só bebedeira mesmo. Um dia conto os detalhes impublicáveis, quando conseguir cobrar pelas histórias via internet por boleto bancário, cartão de crédito, coisa assim. Mas voltamos pra casa mesmo foi pensando no sonho que passamos a alimentar junto aos demais membros dessa confraria...montar a nossa própria Rural, roxa, com globo espelhado no teto, bancos zebrados, forro de grama artificial e volante de pelúcia. Quem souber de alguma (barbadinha) avisai.

2 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Descascadas!
Faltou contar que nos descascamos antes da entrada triunfal: relogios, brincos e aneis foram pra bolsa. O mais ridiculo de tudo isso, foi a porteira revistar a minha bolsa, olhar aquela vitrine de joias, óculos e relógios e dizer: ó, segura bem aí na frente, te liga, pq aqui não dá pra marcar não, a tua bolsa tá muito cheia mina"(!). Finalmente, senti que o meu título PhD surtiu efeito na prática: me senti a legitima pesquisadora do social....hehehe

Saturday, February 18, 2006

 
Blogger a noiva do re-animator said...

Pensando bem, até que tens uma pinta de assaltante mesmo.

Sunday, February 19, 2006

 

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