Monday, February 13, 2006

Traumas

Já estamos pensando que quem lê isso aqui e não participou - além de não entender nada - deve ficar curioso sobre onde compramos tantos alucinógenos. Mas um dia ainda descrevo em pormenores a personalidade e o histórico de cada um dos envolvidos e uma luz surgirá no fim do túnel.
Tudo começou (nesse sábado) com uma recaída de Barbie Mutante no árido terreno da cleptomania, distúrbio que até já considerávamos superado. Dessa vez, no entanto, ela deixou de lado os acessórios (tem fixação por elementos estéticos, vaidosíssima que é, e cuidem-se todas as lojas de bijoux que o prejuízo é grande) enfiou o pé na jaca e levou foi a cesta do Zaffari (aquelas verdinhas), sabe-se lá porquê. Bem que sempre dizem que, nesse transtorno, a satisfação obtida com essas subtrações limita-se ao momento do roubo; constatei isso depois que a cesta foi retirada do porta-malas e abandonada sem cerimônias no chão da minha cozinha, onde posteriormente foi transformada em cama pelo Norman, meu gato, um felino dourado de médio porte, como eu já disse.
Fizemos o jantar, a quatro (mais espectro e Carrie, a estranha) e tudo ia bem (até certo ponto, porque Carrie resolveu lavar o guisado dentro do escorredor de massa e ele ficou assim meio pálido). Estranhamente no apartamento do vizinho, prédio à frente, luzes começaram a piscar seguindo uma certa cadência, muito rápida mas perceptivelmente formando seqüências (ou éramos nós perceptivelmente perturbados, sei lá). Nesse momento Barbie externou mais uma faceta de sua complexa personalidade. Num improvável acesso de sentimentalismo (ela não tem coração) sucumbiu a um choro nervoso com medo das luzes e já pensando que talvez fosse código morse e que seria melhor tentar saber o que se passava no vizinho. Idéia da qual foi demovida já que tinha de nos preparar o molho e, vizinho abduzido ou não, nós sim morreríamos de fome.
Carrie*, que até aquele momento não havia revelado toda a extensão de sua estranheza (e que apesar de tudo é psicóloga, essas meninas que estudam o comportamento humano acabam sempre assim, com egos fragmentados e também ótimas atrizes) já intercalava garfadas com teses sobre a fixação na fase oral, e, bem...o que temíamos aconteceu. Rapidamente ela passou à fase anal, e à relação das pessoas com seus dejetos e crianças que dão tchauzinho quando vêem os seus sendo engolidos pelo vaso, e etc. Um desconforto visivelmente se instalava, as porções alimentares esfriando no fundo dos prato e então percebi que se fazia necessária uma intervenção diplomática.
— "Meu irmão comeu o dele", eu disse, e enfim o jantar acabou.
*Ela ficou profundamente traumatizada porque sua mãe a obrigava a comer sob a ameaça de Julieta, a empregada-espantalho que era colocada ao seu lado na mesa com uma máscara de exu caveira. Mais tarde espectro nos revelaria que sua mãe também o ameaçava - ele tinha o hábito de ativar as bocas do fogão, deixar o gás invadir o apartamento e sair correndo. Até o dia em que encontrou a "guardiã do fogão", uma cabeça de galinha com a traquéia encaixada em um cabo de vassoura, de pezinho, esperando por ele na cozinha (precisamos reconhecer o gênio criativo dessa progenitora).
Como vêem, a personalidade dessas pessoas só podia ficar mesmo irremediavelmente comprometida pelos traumas.

6 Comments:

Blogger sateliteabduzido.blogspot.com said...

Bah... que história doida! Não entendi direito...mas vindo de vocês deve ter sido engraçado! Só alucinógenos e tal rsrs...bem tu noiva!

Monday, February 13, 2006

 
Anonymous Anonymous said...

oi, eu estou lendo...

Tuesday, February 14, 2006

 
Anonymous Anonymous said...

Foi uma catarse ler meu trauma assim...publicado num blog...mas realmente acho que tu deveria colocar a personalidade dos integrantes do grupo, pois quem lê não entende porra nenhuma...(com o respeito da palavra)rsrsrsrsr, mas eu que entendo...dei boas risadas...já velu meu dia hoje!!! brigada noiva. bjs

Tuesday, February 14, 2006

 
Anonymous Anonymous said...

Ô meu, apresenta o "nome" aí, que vou convidá-lo a montar uma banda de rock, já que a bolsa de estudos vai acabar logo logo, preciso me parasitar em outra coisa....hihihihihi. Quanto ao cestinho do super isso não é nada, comparado ao carrinho do carrefour que fiz de floreira na minha antiga residencia. Coisa "tipo assim", aquele troço, daquele lance, o bagulho aquele, sacou?!? Chega de vida literácia, quero morar a bahia vixe!

Tuesday, February 14, 2006

 
Blogger a noiva do re-animator said...

Bia! Minha parasita preferida!
É uma honra receber a visita de uma doutora.
Não acho uma boa idéia te apresentar a adolescentes, sei dos teus desvios de comportamento.
Excelente a idéia da floreira.

Wednesday, February 15, 2006

 
Blogger a noiva do re-animator said...

Leandro, começo a ruborizar.

Wednesday, February 15, 2006

 

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