Wednesday, February 01, 2006

Nostalgia

As mulheres entraram em surto coletivo. É um tal de jogar criança em lagoa, em vala, em garagem...nos Estados Unidos outra matou seis agentes do Correio (o serviço não devia ser dos melhores). A minha mãe insiste, desde que eu nasci, que me pegou na lata do lixo (história sempre confirmada pela minha irmã mais velha, por razões óbvias). Talvez essa ignorância a respeito das minhas origens explicasse um pouco da minha infância esquizóide. Mas eu lembro de alguns momentos ótimos do meu mundinho paralelo. Era fácil ser feliz simplesmente cozinhando uma deliciosa sopa de pedra, organizando visitas guiadas à minha exposição de insetos, na casa dos meus pais, degustando os ácidos e bases que vinham no Laboratório Químico para principiantes que ganhei da madrinha, depredando a construção de uma casa no lugar que eu julgava ser uma potencial futura sede para o meu clubinho. Enchendo a boca de comida, no jantar dos meus pais com convidados, e cuspindo de volta.
Quando aparecia um rato boiando na piscina, então, era uma festa! (Naquela época ainda alimentava aspirações a grande taxidermista internacional, que vieram antes dos delírios messiânicos). Também teve a tentativa frustrada de acender uma fogueira debaixo do carro (sempre a minha irmã me boicotando), o trem fantasma engembrado com a cadeira de rodas da minha tia e as primas menores vestidas de zumbi, o roubo de carrinhos de supermercado, hum...tantas coisas mais. Estou nostálgica hoje.
Talvez por isso as mães pensem duas vezes antes de criar um bebê.

4 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Se eu te disser que a minha infância foi muito parecida com a tua vai parecer piegas...mas eu fiz tens fantasmas...com um tapete amarrado onde a pessoa ia nele por um túnel feito de cobertores...e dentro várias caveiras , vampiros em tamnho original, que medava o trabalho de desenhar o mais aterrorizante possível, baseada em anos de estudos minuciosos de filmes de terror...eram feitos de cartolina e colados parte por parte para ficar do tamanho de uma pessoa...coisa assustadora..claro que quem ia mais no tapete era a vizinha, uma v´tima mais nova que era torturada por mim e o irmão mais velho...quanto as construções com objetivo de fazer clubinhos...também ocorreu. Na real éramos felizes e não sabíamos, não tínhamos que pagar contas...e nem nos preocuparmos em estarmos ficando velhas(os) pra casar e ter filhos... ou ter uma profissão que ganhe muito bem...enfim...lendo teu post inclusive, me dei conta que até hoje parei nesta fase. Mas uma coisa muito peculiar que me lembro é do cheiro de jasmim que exalava no verão em minha casa...assim como espionar minha avó e avô...roubar negrinhos proibidos...andar descalça na rua...e pensar que nunca aquele tempo iria passar...uma semana pareciam meses, as galinhas não tinham hormônios...não existia celular nem Mac donalds...nem orkut, ou seja sem celular e orkut os casamentos duravam mais, pois se alguém traia alguém pouca gente ficava sabendo...ou talvez ninguém mesmo. Mas o mais louco foi uma ocasião que eu e meu vizinho Max fingimos ser dois extraterrestres vindos sei lá da onde e acabamos convencendo a irmã (aquela que era torturada... talvez seja por isso que até hoje ela tenha sérios problemas psicológicos ,nunca tinha pensado nisso)? eu acabei acreditando nisso também..durante meses fingimos ser mutantes usando os corpos de nossos terrenos como moradia para estudarmos os humanos...e ela acreditava cegamente...mas enfim, a infância é a melhor fase da vida.

Wednesday, February 01, 2006

 
Blogger sateliteabduzido.blogspot.com said...

O nosso gerente de hotel me fez lembrar muito bem, um episódio da minha infância. Adorava brincar com meu irmão mais novo. Terminava o Ultramenn e o Spectramen, na tv, e lá íamos nós, correndo para a cama da mãe. O quarto dela se transformava num templo de lutas. Saíam os mais inacreditáveis sons de páh, puuuuu, plaft. Bluft ...ahahah só dava nós nas lutas. Era tapa pra cá; tapa pra lá e, numa dessas, meu irmão caiu e cortou a cabeça. Detalhe: ele tem horrores de cicatrizes devido a estas minhas brincadeiras.
Pra quê!!!
Foi a legítima gota d’água de nossa mãe. Esta me disse:
“-TU NUNCA MAIS VAI BRINCAR COM O TEU IRMÃO, OUVIU BEM?”.
Então! Com oito anos, desdentada, peguei minha mochilinha escolar, botei minhas roupas e boneca e fui... Fugi. Bati a porta.... Pra onde? Não sei...não enxergava nada de tanto chorar. Só que o meu pai acreditava mais em minhas ilimitadas imaginações e foi atrás. Já tinha caminhado uma quadra de casa, quando ele veio correndo e me abraçou dizendo ‘sim, você pode brincar com seu irmão!”.
Fiquei tão feliz e aliviada.
Ai foram vários episódios.
Vocês tiveram laboratórios de tudo, né? O meu laboratório era o meu PRÓPRIO IRMÃO.
Trancava ele dentro do porta-malas do Landau(Galax...não sei o nome da ‘banheira automobilística’), onde, depois, não conseguia abrir. Dava uma colher de sopa cheia de sal para ver o que acontecia, subia nas árvores com ele e mandava ele saltar primeiro(madeeeiraaaaa!). Vale-tudo mesmo...ringue era pouco para os nossos super heróis e uma penca de brincadeiras que, hoje, lembradas, nos fazem rir muito. Mas já deu cada repé de choradeeeeeiraaa... não dá pra contar tudo.
Fora as minhas viagens com teatrinho de colégio que no final da peça ia atrás do príncipe e da princesa para fazer não-sei-o-quê... de repente ver se eles eram de verdade. Lembro que ficava de boca aberta olhando sem falar nada. Só conferindo... nostalgia...rs

Thursday, February 02, 2006

 
Anonymous Anonymous said...

As memórias da minha infania são tão obscuras que acho que foi na encarnação passada. Provavelmente uma defesa do meu inconciente fez esque-las. MAs agradeço a vc e aos outros debilóides pelas lembranças de suas experiências. Decididamente não terei mais filhos.

bjs
Rogs

Thursday, February 02, 2006

 
Blogger a noiva do re-animator said...

Caros visitantes,
agora entendo perfeitamente porque visitam o blog..."semelhante atrai semelhante". Ótimo, podemos fundar uma seita, arrebanhar outros estranhos (e debilóides, segundo Rogs), selecionar protótipos para testes em laboratório, estender a nossa influência e dominar o mundo!
Lembro que também tive uma fase de inspiração indígena (me sentia uma espécie de xamã) em que consumia raízes e imaginava ter visões.
Meu irmão também já foi cobaia, bebeu muitas coisas estranhas e foi vítima de terror psicológico (quando bebê, rolou escada abaixo quando arranquei a cabeça da boneca que ele tanto temia - justamente porque a cabeça saía do lugar). E Tânia, conto com seu talento em arquitetura e decoração de interiores para projetarmos um novo trem-fantasma, que servirá para conduzir o nosso rebanho ao "kibutz" onde nos servirão como escravos.

Beijos a todos

Thursday, February 02, 2006

 

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