Thursday, February 16, 2006

Hambúrguer

Comprei um hamburguer pra mim, em uma lancheria, vesga de fome (e isso é assunto muito sério). Paguei, peguei minha bandejinha, com hamburguer e um copão de sprite e comecei a perambular atrás de uma mesa. Tenho a noção muito clara de que, sendo uma lancheria espaço público, pagando todos nós da mesma forma pelos nossos lanches (eu pago os meus, pelo menos), pressupõe-se que todos tenham o mesmo direito a sentar para fazer o seu, independente da condição e independente do lugar. Visto que todas as mesas estavam ocupadas, me restavam as opções de engolir o lanche em pé ou dividir, civilizadamente, uma mesa. Perguntei se uma cadeira estava ocupada a duas mulheres sentadas (em uma mesa para quatro). Vítimas de um episódio fulminante de surdez, até me olharam, mas ignoraram solenemente a pergunta. Me questionei se eu não estaria parecendo uma mendiga, cheirando mal, com piolhos pulando na mesa ou as primeiras escaras da lepra aparecendo, coisa assim, mas ao que parecia não era o caso. Então chegou um homem que voltava do banheiro e estava dividindo a mesa com elas e disse "não, fica à vontade, por favor", puxando a cadeira. Percebi os olhares de desgosto trocados entre uma e outra e, segundos depois, de clara reprovação à conduta do homem, por parte de ambas. Nesse instante vagou completamente uma mesa ao lado, mas então achei que repentinamente se tornara irresistível a tentação de tomar aquele lugar onde minha presença era tão pouco prestigiada. Degustei cada sementinha de gergelim do hambúrguer como se fossem as últimas. Da minha vida. Enquanto isso me dei conta de que eram gaúchos (usavam o crachá de participantes de um evento, com o estado indicado). Coincidentemente, o evento que eu havia ido cobrir há pouco, como repórter. Pois as jucas de Gravataí, que foram panfletar no evento que, através do meu trabalho, eu promovi, acharam incômodo dividir a mesa (que nunca pertenceu e nem pertencerá a elas) comigo. Não que eu não me sinta uma juca também, acho que Porto Alegre é um buraco pior ainda, buraco pretensioso é o "ó". Mas a falta de civilidade daquele momento me incomodou. Essas pobres diabas jamais poderão conhecer, por exemplo, a champanharia (original, no Centro) a não ser que alguém serre a mesa comprida de madeira, que é coletiva, pra que somente elas e suas amigas cafonas com roupinhas da Tok (a grife das namoradas de motoboy) e batom Panvel possam sentar.
Levantei, agradeci ao homem - unicamente a ele - e imediatamente pensei em um novo tema para discussões com algum sentido. Porquê diabos mulheres representam a categoria mais desunida da face da Terra?

De fato, eu ainda não dormi o suficiente.

3 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Mas tu anda muito com a barbie, ta te revoltando igual e ela...Que puxa! Quem mandou nascer loura nórdica em um país tropical que inssistem em chamar de "em desenvolvimento"? Só se for o desenvolvimento da exclusão. Tivestes a legitima experiencia de ser uma invisivel social. Pow, acabo de imaginar o nome da minha banda de rock: os invisiveis! HAHAHAHA. Acho que vou continuar na vida de literácia...cara, este teu blog me diverte e, ainda me lembra que em março vou a argentina reabastecer meu estoque de clinique e similares com o bono vox de brinde...hihi.

Friday, February 17, 2006

 
Anonymous Anonymous said...

Olá linda,

apenas 10 coisas:
1) este seu blog me atrapalha, pq tenho coisas a fazer e fico aqui perdendo tempo;
2) gaúcho é bunda-mole mesmo,
3) e principalmente grosso,
4) e não tenho a menor ideia do porquê das mulheres serem desunidas,
5) mas acho que é porque, como são mulheres, sabem com quem estão lidando...
6) e só homem mesmo pra gostar, já que homem é um bixo burro...
7) e eu não estou inspirado hoje,
8) e desculpa meus erros de português;
9) e veja se responde os email!
10) e te cuida e um beijo!

rogs

Friday, February 17, 2006

 
Blogger a noiva do re-animator said...

Olá biazinha!
Pois é, eu tanto quis um verniz invisibilizador, né?
"Os invisíveis" é um bom nome, posso até tocar alguma coisa nessa tua banda. Não sei qual seria o instrumento ideal...hummm...de tortura, quem sabe? Ou podíamos tocar órgão, rsrsrs.
O bono eu tô passando (só gosto sabor morango) mas os cliniques sempre vem bem.

E Rogs, obrigado pelo "linda" (nos conhecemos?)
Certamente responderei aos seus e-mails, assim que me escreveres algum.

beijos

Friday, February 17, 2006

 

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