
Talvez por alguma influência de “Histórias de cronópios e de famas”, meu livro favorito de meu escritor também favorito, Julio Cortazar (minha vida é dividida em A.C./D.C.) consigo encontrar um prazer indescritível em atividades deliciosamente inúteis e sem propósito algum. Entre elas, uma me fez lembrar do capítulo “Estranhas ocupações”, sobre uma bizarra família da calle Humboldt, em Buenos Aires, que se dedicava a coisas como construir um patíbulo no jardim de casa, chorar desesperadamente no enterro de um desconhecido (cuja própria família não tinha a intenção de derramar uma lágrima), instalar um pousa-tigres na mesa de jantar, arrebentar encanamentos de um prédio inteiro a fim de encontrar um fio de cabelo propositalmente largado no ralo do banheiro com um nó no meio, o que, no glorioso momento da recuperação, o diferenciaria dos demais milhões de fios. Pois bem. Na impossibilidade de realizar algo assim tão grandioso me viro como posso. Então em um sábado ensolarado, depois de dormir quatro horas na virada de sexta para sábado (um recorde, me senti extremamente relaxada e disposta) resolvi acompanhar meu amigo Espectro a algo que eu classificaria, ao menos para os meus hábitos, como inusitado. Fui ao tal curso de preparação para o Batismo, em uma igreja de outra cidade, onde eu não conhecia quase ninguém, e isso inclui a criança em questão. Só sei que o coitadinho é filho do Seco, outro perturbado em grau ainda mais severo porque insiste em espalhar gens por aí. Achei ótimo porque poderia também exibir o visual exótico com que acordei naquele dia, depois de dormir em cima da costura do travesseiro e acordar com uma imitação perfeita de cicatriz que atravessava o olho perpendicularmente, de cima a baixo. A irmãzinha do Navalhada. Espectro, o padrinho, pediu insistentemente que o acompanhasse até a igreja, local onde ele, ateu convicto e raivoso, além de pessoa muito sensível e dramática que é, certamente teria sintomas estranhos, sem descartar uma possível possessão e a necessidade de um exorcista, camisa-de-força, tranqüilizantes, tradutor de aramaico, essas coisas. Não quis entrar em detalhes quando tivemos de nos apresentar para o grupo, preferi dizer apenas que era só “acompanhante”, torcendo pra que isso não fosse mal interpretado.
3 Comments:
Noiva! Eu pagava pra ver o charme da marquinha no rosto! Tu sabe que me fizestes passar mal de tanto rir... Graças a Deus, tu existe! te adoro, meu carma...;-)
Wednesday, March 15, 2006
O melhor de tudo foi imaginar as carolas olhando pra tua cicatriz e imaginando de onde saiu a navalhada...huahuahuahua.
Thursday, March 16, 2006
eu não sei mais o que se passa contigo...juro!!! as vezes tenho a impressão q tu simplesmente faz coisas por não ter o quê fazer - aí como não tem o que fazer, pra evitar que o cabeção fique pensando, pensando, pensando pega vai até em curso de batizado...ehehehehe!!!
Friday, March 17, 2006
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