Mais um caso daqueles em que a criatura supera o criador. A menina aí abaixo se desenvolveu normalmente, em um lar repleto de amor, compreensão, diálogo e empregadas domésticas (o que é definitivo na formação de uma personalidade, sei pela minha, quase tive ama-de-leite), estudou em bons colégios, fala outros idiomas, sabe se vestir conforme a ocasião, faz trabalho voluntário, usa os talheres perfeitamente e até aprendeu a rezar um dia. Pois esse ser aparentemente tão adorável vem demonstrando toda a sua capacidade mimética nas mais diferentes situações, e, como disse Espectro, outra cabeça do Movimento (nos revezamos na orientação das ovelhas) anda galgando posições elevadas em nossa hierarquia. "Mais um cérebro privilegiado a serviço do mal", identificou ele. Nos últimos dias pudemos acompanhar o ápice de sua performance e chegar à conclusão de que Maria Padilha (essa mesma, a entidade) é socialite perto dela e deve até estar se sentindo a última das criaturas, nem desce mais nos terreiros porque tem vergonha. Pois o nosso pequeno e malévo lo Bebê de Rosemary, sempre tão embrenhado em seus iPods, laptops, palmtops e tudo o mais que for top é capaz de discorrer longamente sobre as peculiaridades da uva de determinada região européia com a qual foi produzida a safra 2002 do Brunello de Montalccino com a mesma espontaneidade com que simula gestos obscenos para os transeuntes, defuma todo um ambiente com seus robustos Cohybas n. 3 e se deleita constrangendo a torcida do Internacional (clube do qual é sócia) nos Gre-nais com seu vocabulário impublicável. Depois de chocar centenas de pessoas em um aniversário no baixo Bronx, sexta à noite (em que ela dançava certamente possuída por algum espírito vodu, girava a cabeça 360 graus sobre o pescoço e ameaçava a integridade física dos outros com suas incandescentes cigarrilhas Crème Café) amanheceu no domingo resolvida a procurar um rito de purificação. Daí esse serzinho que freqüentou o curso do padre Quevedo - "Fenômenos paranormais no eczistem" - e acabou ganhando (mais um) inimigo porque ele não conseguiu hipnotizá-la (e isso é verdade) amanheceu entre gourmets no cursinho privê que Claude Troisgros ofereceu para uma panelinha que freqüenta a Gourmandisse e que, pra muitos, deveria queimar no fogo do inferno. (O que pra ela não seria de forma alguma um problema, inclusive parece que as próximas férias da menina serão por lá, ostentando seus tic-tacs cor-de-rosa em meio ao fogo que intensificará o tom dourado de seu cabelo). Pra encerrar o processo de elevação espiritual, baldes e mais baldes de champanhe, blasfêmias e exconjurações que duraram quase a madrugada inteira. E vá-lhe pedra na cruz, forca no santo e cuspe na mesa da santa ceia. Diz ela que é tudo em nome da tese (sim, trata-se de uma parasita acadêmica de alto padrão). A genialidade tem dessas coisas mesmo.
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4 Comments:
Ualá! Li este perfil e saiu de tudo da minha cabeça: galo preto, milho, bandeja de papelão e bandeja da tramontina, chandon e cachaça, charuto e baura de palha... credo! Descreveu o pequena notável de uma forma exemplar. inclusive, domingo, quando me mandou um torpedo dizendo estar almoçando com o "ClaudÊÊÊÊÊ"...Achei que era o pai da psicanálise gaúcha rsrs
Vou lembrar que a litle woman é uma comovente amigona que, nas horas, da dificuldade ela corre, voa ...enfim, se ejeta do outro lado da cidade, só para estar perto de nós! E como fala! hi hi hi
Tuesday, April 04, 2006
Estou deveras emocionada para tecer algum comentário adequado ao momento. Assim que eu voltar ao normal apareço por aqui...vou pegar alguém na rua e já volto, porque chorar no cantinho é coisa de humanóides tolos...
Wednesday, April 05, 2006
Agora, após relatar a crise da noite anterior, vim aqui dizer me sentir enaltecida pelas tuas palavras doces e consisas sobre a minha modesta pessoa.
Estou deveras emocionada mesmo. O inferno retorna ao movimento, o valor que ele merece. Muito grata. De verdade. Não adianta. Estou emocionada...
Wednesday, April 05, 2006
:}
Wednesday, April 05, 2006
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